Opinião — Um bilionário, um rosto bonito e o risco de repetir velhos erros
A articulação política que envolve Paula Belmonte e o ex-governador José Roberto Arruda soa como um déjà-vu perigoso para quem acompanha a política do Distrito Federal. O chamado “plano dos Belmonte”, ao apostar na transferência de capital eleitoral de um nome historicamente marcado por escândalos e hoje inelegível, ignora uma lição básica da democracia: voto não se herda.
Arruda já foi um fenômeno eleitoral, mas também se tornou símbolo de um dos períodos mais traumáticos da política local. Em 2014, sua inelegibilidade desmontou uma estratégia que parecia sólida nos bastidores — e o resultado foi derrota. A crença de que esse erro pode ser corrigido agora, apenas trocando o candidato principal por um “rosto novo”, é no mínimo ingênua.
Há dinheiro, estrutura e marketing. Há também sobrenome forte e articulação jurídica. Mas nada disso substitui credibilidade. O eleitor brasiliense já demonstrou que rejeita atalhos políticos e não compra, com facilidade, a ideia de que apoio informal ou bastidor resolve eleição.
A política do DF não é mais a mesma. Nem todo capital político é transferível. Nem todo passado é reaproveitável. Apostar nisso pode não ser ousadia — pode ser apenas insistência em um erro antigo

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