O caso Pedro Turra, que chocou o Distrito Federal após a agressão que terminou na morte do adolescente Rodrigo Castanheira, de 16 anos, ganhou mais um capítulo. O Superior Tribunal de Justiça (STJ) negou, na quarta-feira (19), mais um pedido de soltura apresentado pela defesa do ex-piloto.
Pedro Turra permanece preso preventivamente na Papuda enquanto aguarda os próximos passos do processo, incluindo a definição sobre seu eventual julgamento pelo Tribunal do Júri.
Na decisão, o ministro Messod Azulay Neto entendeu que o pedido apresentado não encontrava previsão legal para a medida pretendida e destacou que a concessão de habeas corpus nessa situação seria excepcional.
O magistrado também apontou ausência de “plausibilidade jurídica” para a concessão da tutela de urgência.
Mas, para entender por que Pedro continua preso sete meses depois do início do caso, é preciso voltar aos primeiros dias da investigação e à atuação do delegado Pablo Aguiar, da 38ª Delegacia de Polícia de Vicente Pires.

Pedro chegou a ser solto após pagar fiança
Tudo começou em 22 de janeiro, quando Pedro Turra e Rodrigo Castanheira se envolveram em uma briga em Vicente Pires.
Imagens gravadas no local mostram Turra desferindo golpes contra Rodrigo. Em determinado momento, ele questiona se o adolescente iria “arregar”.
Inicialmente, a versão apresentada era de que a discussão teria começado por causa de um chiclete. A família de Rodrigo, porém, passou a questionar essa narrativa e levantou a possibilidade de que a agressão tivesse sido premeditada.
Depois da ocorrência, Rodrigo foi levado em estado gravíssimo para um hospital particular de Águas Claras.
O adolescente precisou ser intubado, permaneceu em coma e sofreu uma parada cardíaca de aproximadamente 12 minutos.
Pedro foi preso em flagrante, mas acabou colocado em liberdade após pagamento de fiança de R$ 24,3 mil.
Foi depois dessa primeira soltura que a investigação ganhou outra dimensão.

Pablo Aguiar aprofundou investigação


O delegado Pablo Aguiar não limitou a apuração ao episódio envolvendo Rodrigo.
A equipe da 38ª DP passou a buscar informações sobre outros fatos atribuídos a Pedro Turra, ouvir novas pessoas e verificar relatos de episódios anteriores de violência.
Durante essa fase, outros inquéritos e ocorrências envolvendo o investigado passaram a ser analisados.
A polícia também realizou buscas e apreendeu objetos durante as diligências.
O conjunto de informações reunido passou a ser utilizado para demonstrar que o episódio envolvendo Rodrigo não deveria ser analisado de maneira isolada.
A atuação da Polícia Civil nessa fase foi decisiva para a mudança da situação de Turra.

Turra voltou para a prisão
Com o avanço das investigações e a apresentação de novos elementos à Justiça, Pedro Turra acabou preso novamente em 30 de janeiro.
Desta vez, preventivamente.
A diferença era importante.
A prisão já não estava ligada simplesmente ao flagrante ocorrido logo depois da agressão. Existia uma investigação mais ampla, com elementos reunidos nos dias seguintes ao episódio.
A atuação de Pablo Aguiar e de sua equipe teve papel central nesse processo ao documentar novos fatos e levar essas informações ao conhecimento das autoridades responsáveis pelas decisões judiciais.
Desde então, Pedro permanece preso.

Delegado se emocionou ao falar das vítimas
Um dos momentos mais marcantes da investigação ocorreu durante uma coletiva de imprensa.
Ao falar sobre os relatos colhidos pela polícia e sobre a situação de Rodrigo, Pablo Aguiar se emocionou.
O delegado afirmou sentir a situação também sob a perspectiva de um pai.
A reação ganhou grande repercussão porque mostrava que a investigação havia ultrapassado o episódio inicialmente apresentado como uma simples briga entre jovens.
Segundo informações divulgadas durante as investigações, outras pessoas tinham receio de procurar a polícia para relatar episódios envolvendo Turra.
A prisão preventiva ajudou a criar um cenário em que novas testemunhas e possíveis vítimas se sentiram mais seguras para falar.

MPDFT apontou indícios de tentativa de combinação de versões
Outro ponto que passou a integrar o caso envolve as pessoas que estavam com Turra no momento da agressão.
Segundo o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios, foram identificados indícios concretos de tentativa de combinação de depoimentos para favorecer Pedro.
Um elemento comum aparecia nas versões: a afirmação de que a confusão teria começado por causa de um chiclete.
A apuração buscou reconstruir exatamente o que aconteceu antes, durante e depois das agressões.

Rodrigo morreu após 16 dias internado
Enquanto a investigação avançava, Rodrigo continuava lutando pela vida.
O adolescente permaneceu internado durante 16 dias na Unidade de Terapia Intensiva.
Em 7 de fevereiro, sua morte foi confirmada.
A partir daquele momento, o caso ganhou uma consequência ainda mais grave.
A família que acompanhava a luta de Rodrigo no hospital passou a cobrar responsabilização pela morte do adolescente.

Defesa tentou novamente conseguir liberdade
Desde a prisão preventiva, a defesa de Pedro Turra vem tentando reverter a medida por meio de recursos e pedidos judiciais.
O novo pedido chegou ao Superior Tribunal de Justiça.
Mais uma vez, porém, Turra não conseguiu deixar a prisão.
Com a decisão do ministro Messod Azulay Neto, ele continuará na Papuda enquanto o processo segue seu curso.
É importante destacar que a manutenção da prisão preventiva não representa condenação antecipada. A responsabilidade penal de Turra deverá ser definida no processo, com direito à defesa e ao contraditório.

Sete meses depois, Pedro continua preso
O caso começou com uma agressão em Vicente Pires e rapidamente tomou proporções muito maiores.
Pedro foi preso, conseguiu liberdade e voltou para a cadeia poucos dias depois.
Nesse intervalo, a investigação conduzida por Pablo Aguiar e pela equipe da 38ª DP foi fundamental para revelar outros elementos e apresentar à Justiça um quadro mais amplo sobre o investigado.
Rodrigo não sobreviveu.
Pedro permanece preso.
E agora uma das decisões mais importantes ainda está pela frente: saber se o processo seguirá para julgamento pelo Tribunal do Júri.
Sete meses depois, o caso que começou com uma discussão inicialmente atribuída a um chiclete continua mobilizando a Justiça do Distrito Federal.
E a atuação do delegado Pablo Aguiar permanece como um dos pontos decisivos da investigação que levou Pedro Turra novamente à prisão preventiva, onde continua até hoje.